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segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Diarréia Aguda


     A diarréia aguda é aquela que dura até 14 dias. 


     No Brasil, ainda é uma das principais doenças que leva a internação em crianças menores de 5 anos. Também, sua maior incidência é em crianças de 6 a 23 meses.

    A diarréia aguda pode ser causada por:
    • vírus, como rotavírus, adenovírus, entre outros
    • bactérias, como Salmonella, Shiguella, entre outros
    • protozoários, como giardia ou amebíase
    • intoxicação alimentar

    Dessa forma, a principal causa da diarréia infantil é infecciosa, sendo os vírus os microorganismos mais comuns! 

A diarréia com sangue é rara, pode ser causada por vírus mas também por bactérias. 


Fonte: Saúde na Infância 


Quadro Clínico e Diagnóstico da Diarréia:


   O tipo de fezes nos ajuda muito a determinar a etiologia e a gravidade da diarréia. Em geral a diarréia é acompanhada de vômitos no primeiro dia e febre também pode ocorrer. Fezes líquidas ou pastosas, com aumento no número de evacuações são mais comumente causadas por vírus, que normalmente causam quadros benignos e auto-limitados. Quando as fezes são acompanhadas de sangue ou muco e se a criança apresenta-se muito hipoativa e gemente é necessário pensar em bactérias ou infecções mais graves. 

    Assim, o diagnóstico é basicamente clínico, sendo que exames laboratoriais podem ajudar, principalmente nos casos mais prolongados de diarréia (como a subaguda) ou nos casos mais graves, com sangue ou muco. 


Tratamento da Diarréia: 


    O mais importante durante o curso da diarréia é manter a criança hidratada. 
    Logo no início deve-se aumentar a oferta de líquidos, privilegiando aqueles com os quais a criança está acostumada. A terapia de reidratação oral (TRO) é o tratamento de escolha para a desidratação, pois ele tem exatamente os componentes necessários para reconstituir o equilíbrio hidroeletrolítico da criança. Os TROs são facilmente encontrados em farmácias. 
    
     Medicamentos:

    • Probióticos: micro-organismos vivos que, quando administrados em quantidades adequadas, conferem benefício ao hospedeiro, como Floratil®, Enterogermina®, entre outros
    • Zinco: único tratamento recomendado pela OMS e UNICEF. Reduz a duração e a gravidade do episódio de diarréia, além de diminuir a incidência de diarréia nos dois a três meses seguintes àquele episódio 
    • Antibióticos: raramente são necessários, pois na grande maioria dos casos os vírus são os responsáveis pelos sintomas

    Orientações dietéticas:

    • Se a criança está em aleitamento materno mantenha-o! Não suspenda o aleitamento, ao contrário, oferte com mais frequencia o peito
    • Oferecer os alimentos que a criança está acostumada. A falta de apetite acompanha a diarréia, assim, oferte refeições em menores quantidades e em maior frequencia
    • Oferecer alimentos com alta valor energético e evitar leites muito diluídos ou com baixo valor calórico 
    • Dietas restritivas não reduzem a duração ou a intensidade da diarréia 


MANTER A CRIANÇA HIDRATADA É PRIORIDADE NO TRATAMENTO!






Sinais de Alarme para ir ao Pronto-Socorro na Diarréia Aguda

  • criança gemente e hipoativa
  • fezes com sangue ou muco
  • vômitos persistentes 
  • criança não consegue ingerir líquidos 



Fonte: Pediatria em Consultório / Sociedade Brasileira de Pediatria 




segunda-feira, 17 de outubro de 2016

A Perigosa Cultura do Pronto-socorro

   

     A criação do pronto-socorro (PS) foi uma conquista avançada no contexto da recuperação da saúde. Infelizmente, com o tempo, ele foi se desvirtuando e usado como ambulatório com consequências desfavoráveis para a saúde da população, particularmente o segmento pediátrico.

     O objetivo do pronto-socorro é atender as urgências e emergências e nisso ele é insubstituível. Hoje em dia infelizmente ele é usado muito mais do que a necessidade real pois os pais acham que o atendimento é rápido, porém na realidade, eles acabam esperando durante horas, atravessando a madrugada, com sérios prejuízos para as atividades do dia seguinte. Acha-se que é o lugar mais fácil para se fazer exames. O pedido de exames que é feito no PS acaba aumentando o tempo de espera. Muitos desses exames não seriam necessários se a criança fosse atendida por um pediatra que a conhece e que pode aguardar, em contato com os pais, a evolução da doença.

     O que acontece para a criança nos primeiros anos de vida determina todo o seu futuro. Cabe ao pediatra verificar: estado nutricional, história alimentar, curva de crescimento, desenvolvimento neuropsicomotor, comportamento, vacinação, atividades físicas, visão, audição, saúde bucal, sono, desenvolvimento da sexualidade, cuidados domiciliares, condições do meio ambiente, desempenho escolar, à tudo isso da-se o nome de PUERICULTURA.





     Ao escolher um pediatra, confirme que ele está à disposição para orientações breves nas ocasiões de urgência além do acompanhamento de puericultura.

A Sociedade Brasileira de Pediatria orienta que essas consultas de puericultura devem ser feitas em idades-chaves, mesmo que a criança não esteja doente, pois a consulta periódica de seu filho sadio evita as doenças.


A OMS recomenda: 

  • até 6 meses de idade, consulta mensal 
  • De 6 meses a 1 ano de 2/2meses
  • De 1 a 2 anos a cada 2 meses
  • De 2 a 3 anos a cada 3 meses
  • De 3 a 5 anos a cada 6 meses
  • De 5 a 13 anos a cada ano


Quando se deve ir ao PS:


  1. 1)  Levar ao PS nas emergências verdadeiras como: 

    • febre muito alta (acima de 39 graus)
    • criança abatida e/ou gemente
    • vômitos que não param
    • diarreia líquida seguida
    • dor de cabeça súbita forte
    • falta de ar
    • crise asmática forte
    • acidentes e traumas
    • intoxicação
    • convulsão
    • dor de barriga importante sem melhora com medicamentos 
    • entre outros

  1. 2)  Assim que possível, comunique o ocorrido ao seu pediatra. Ele vai orientar a continuação do tratamento.

     Se for necessária a ida a um PS, saiba que o PS apenas começa o tratamento. Comunique-se o mais breve possível com seu pediatra para que ele acompanhe o tratamento. 

Fonte: Sociedade Brasileira de Pediatria

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Doença Exantemática: Varicela

     A varicela, mais conhecida como catapora, é uma doença causada pelo vírus herpes zoster, que acomete principalmente crianças. A forma mais comum de contágio é pela saliva, espirro, tosse ou mesmo na fala. A transmissão também pode acontecer por meio da inoculação direta, ou seja, quando as mãos têm contato com vesículas contaminadas de alguma pessoa doente e infectam a via aérea ou mucosa oral, ou indireta, pelo contato com roupas ou superfícies que foram utilizadas pela pessoa doente. 
     Caracteriza-se pela presença de vesículas ou bolhas, em geral, de conteúdo claro e com as bordas avermelhadas. Essas bolhas, que surgem na pele de todo o corpo, inclusive no couro cabeludo, boca e outras mucosas, aparecem em surtos, ou seja, várias ao mesmo tempo, vêm acompanhadas de febre baixa a moderada com duração média de quatro dias. 



     O diagnóstico da doença é basicamente clínico, embora exista a possibilidade de confirmação sorológica.
     Nas crianças pequenas, não é indicado qualquer tratamento, nem mesmo os conhecidos banhos de permanganato, que, quando mal diluído, pode causar queimaduras na pele. O ideal é fazer a higiene adequada da pele, com água e sabão, durante o banho habitual, e cortar bem as unhas da criança para que ela não coce as vesículas e corra o risco de infeccioná-las. 
     O tratamento específico com a medicação, que é o aciclovir, só é indicado em adultos ou pacientes acima dos 12 anos, pois a taxa de complicação da doença costuma ser maior. Em casos específicos, quando o paciente tem HIV, algum grau de imunossupressão ou outra comorbidade que faz com que ele manifeste uma varicela mais grave, é indicado o tratamento com aciclovir também em menores de 12 anos. 
     Antitérmicos são indicados e deve-se lembrar de evitar ácido acetilsalicílico e ibuprofeno. Em algumas situações, pode-se utilizar medicações anti-alérgicos visando conter o prurido que acompanha as lesões de pele.
     As infecções secundárias da pele são as complicações mais comuns associadas à catapora. A doença cria na pele uma porta de entrada para bactérias, que poderão causar infecções na mesma.
    A vacinação para varicela é importante para prevenir a doença, pois na maioria dos  casos, impede que a pessoa manifeste a doença em sua forma mais grave.

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Urticária e Angioedema

     Urticária são vergões avermelhados (urticas) que coçam, duram até 24 horas e não deixam marcas na pele.  O angioedema é o inchaço da pele, de coloração rósea, geralmente nos lábios, pálpebras, pés, mãos e genitais. É um inchaço que deforma o rosto da pessoa e não é simétrico. Nos casos mais graves, a urticária/angioedema pode vir acompanhada de outros sinais como chiado no peito, dificuldade para respirar, diarreia e queda da pressão arterial caracterizando anafilaxia (reação alérgica grave). 


      Os quadros de urticária são classificados como agudos, quando duram de um dia até 6 semanas, ou crônicos, que duram mais de 6 semanas e às vezes vários meses ou anos. 
Urticária Aguda     

    As causas de urticária/angioedema aguda são variadas e incluem alergia a alimentos, medicamentos e aditivos alimentares, infecções virais e bacterianas, verminoses, doenças sistêmicas como a tireoidite ou ainda fatores físicos como pressão leve, calor, frio ou exercícios. Em alguns casos, vários fatores estão envolvidos em um mesmo episódio e muitas vezes não se consegue identificar o fator desencadeador ou mantenedor da urticária. 

        Os alimentos mais prováveis de causar urticária são os frutos do mar nos adultos e ovo e leite nas crianças. Dentre os medicamentos, os analgésicos e anti-inflamatórios não hormonais (dipirona, ácido acetil salicílico (AAS), diclofenaco, entre outros) são os mais comuns, além de antibióticos e medicamentos para tratamento de pressão alta. Látex (borracha) e picadas de insetos como abelha e marimbondo também podem causar urticaria em indivíduos sensíveis. O estresse emocional pode contribuir para a manutenção dos casos de urticária.

    O tratamento baseia-se na identificação e afastamento do agente causal quando existente. Medicações podem aliviar a coceira e diminuir as urticárias e angioedema.


Urticária Crônica
    Já as causas de urticária crônica podem ser divididas em espontânea (ocorre sem nenhum desencadeaste identificado) ou induzida (quando ha um fator desencadeante para o sintoma). 



Subtipos de Urticaria Crônica Induzida:


     Os mecanismos que levam ao aparecimento da urticária crônica ainda são pouco conhecidos, mas sabe-se que existe liberação de uma substância chamada histamina por uma célula denominada mastócito. Essa substância age nos vasos sanguíneos e na pele, gerando a vermelhidão e inchaço característicos dessa doença.

      Até metade dos portadores de urticária crônica apresentam também angioedema.
    O diagnóstico de urticária/angioedema é basicamente clínico: a consulta e o exame físico são suficientes para o diagnóstico. Ás vezes, pode ser necessário a elaboração de um diário para correlacionar a urticária com algum fator. Alguns exames podem ser necessários para identificar a(s) causa(s). Os exames laboratoriais são necessários para investigar doenças sistêmicas, angioedema hereditário ou em casos selecionados em que o teste alérgico é de risco para o paciente.
     Ao procurar o seu médico anote ou tente lembrar-se de :

     O tratamento baseia-se na identificação e afastamento do agente causal quando existente. Os medicamentos são usados para controle dos sintomas intensos e/ou persistentes e usa-se os anti-histamínicos como primeira escolha na maioria dos casos. Deve-se optar pelos chamados anti-histamínicos não sedantes a fim de evitar sonolência e dificuldade para exercer tarefas diárias como dirigir, trabalhar, ir à escola. Em alguns casos, os corticoides orais podem ser indicados.
O mais importante do tratamento é:

► Não se medicar sem ajuda médica especializada
► Respeitar as etapas do tratamento conforme indicação do seu médico
► Tomar as medicações indicadas diariamente, pois a falha pode piorar o percurso do tratamento
► Acreditar que essa é uma doença que tem controle e que cada pessoa é um ser diferente. Para cada portador existirá um tratamento adequado, com doses individualizadas. 

     A urticária é uma doença bastante prevalente no nosso meio, envolvendo fatores variados com repercussão importante na rotina do paciente. A identificação do fator desencadeante/mantenedor do quadro assim como o controle dos sintomas é fundamental para uma boa qualidade de vida.


Fonte: Asbai (Associação Brasileira de Alergia e Imunologia ) / urticaria.org.br

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Febre: e agora?

O que é febre?

A febre é a elevação da temperatura corporal acima do valor de normalidade (maior igual a 37,8°), que pode ocorrer devido a diversos fatores: infecção, inflamação, tumor, entre outros. Nas crianças, a causa mais comum é infecção.

Em vigência da febre, as crianças podem  apresentar coração acelerado, respiração mais ofegante e ficam prostradas. Entretanto, sabemos que a febre é uma das medidas que o corpo toma para combater os microorganismos que estão nos infectando. Por isso, a febre deve ser medicada se a temperatura estiver acima de 37,8 graus. O estado "subfebril" (entre 37 e 37,7) não deve ser medicado, mas observado e acompanhado, pois nem sempre a temperatura se elevará.

Por ser um dos primeiros sinais de infecção, é comum ela aparecer em crianças sem nenhum outro sintoma, como tosse, coriza, diarréia. É por conta disso que orientamos ida ao pronto-socorro caso a febre permaneça por mais de 48 horas, pois em geral nos primeiros dias da infecção ainda não existem alterações no exame físico ou laboratoriais que possam ajudar no diagnóstico.

Claro que se a criança apresentar algum sinal de alarme para doença mais grave, não espere, procure o pronto-socorro na mesma hora. Quais seriam esses sinais?
  • falta de ar
  • sonolência intensa ou hipoatividade 
  • manchas vermelhas no corpo
  • vômitos persistentes 
Fonte: revistasaude.uol.com.br

E a febre pode causar alguma complicação para a criança?

A febre em si é um mal estar, por isso a necessidade de medicar com anti-térmicos. Existe também uma pequena chance de convulsão, a chamada convulsão febril.

A convulsão febril ocorre principalmente em crianças pequenas até os 5 anos de idade, e sua incidência é de cerca de 4%. Ela tem caráter benigno, ou seja, raramente evolui para epilepsia ou para lesões no cérebro. Ela acontece devido ao baixo limiar do córtex cerebral em desenvolvimento, por isso é um fenômeno da infância e tende a melhorar conforme a criança cresce. Também, sabemos que a elevação rápida da temperatura é um dos fatores que podem ocasioná-la, e não necessariamente a temperatura elevada.


Dicas:
  • sempre faça aferição da febre com termômetro, de preferência digital: para o médico faz diferença saber se a febre foi de 37,8 ou 39 graus
  • não esperar chegar ao pronto-socorro para medicar! Medique em casa assim que confirmado a temperatura acima de 37,8. A febre altera o exame físico e consequentemente a avaliação do médico
  • intercale os anti-térmicos caso a febre apareça antes de 6 horas da última medicação
  • durante a febre não há necessidade de agasalhar a criança, priorize roupas leves para que ajude a baixar a temperatura
  • banhos também podem ser utilizados para diminuir a temperatura, mas nunca gelados! O ideal é na temperatura ambiente
  • lembre-se de manter a criança hidratada


ATENÇÃO:

Se seu bebê tem menos de 3 meses e apresenta temperatura maior igual a 37,8, desagasalhe-o um pouco, meça de novo a febre após 30 minutos. Se a temperatura persistir procurar seu pediatra ou um pronto-socorro o mais rápido possível logo no primeiro pico, não aguardar as 48 horas.


Alguma dúvida? Escreva para gente nos comentários abaixo!


Fonte: J. Pediatr. (Rio J.) vol.78  suppl.1 Porto Alegre July/Aug. 2002